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O Homem da Chave Verde

25.novembro.2011

| Lá vem o homem
| Lá vem ê ê
| O homem da chave verde

Carregado de ontens
Olha a conta de luz
Sente o peso da responsa
Mas não é o medo
Não é o medo que o conduz

E o que é então?
Ninguém sabe.
Ninguém sabe, não…

| Lá vai o menino
| Lá vai ê ê
| O menino da bicicleta

Carregado de anseios
Movido pelo amanhã
Sente o vendo no cabelo
Mas não é o tempo
Não é o tempo que o seduz

E o que é então?
Ninguém sabe.
Ninguém sabe, não…

 

Acabo de encontrei isso rabiscado na última página de um caderno já meio antigo. Não tem data, mas imagino que seja por volta de 2006, durante meu processo de mudança, saindo da casa dos pais e indo morar sozinho. A chave verde eu herdei do morador anterior. Tenho certeza que havia uma melodia (por causa do ê ê), mas ela se perdeu, então fica só a letra mesmo. Acho que a inspiração foram duas músicas, uma do jorge ben (o homem da gravata florida) e outra do simoninha (lá vem o homem).

Dá pra ler meu cagaço. :)

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Não presentes, mas presenças

1.agosto.2011

No meu aniversário não quero presentes, mas presenças.
Porque hoje somos muito distantes.
Não fisicamente – às vezes, isso também.
Mas subjetivamente.

Co-vivemos, mas não convivemos.

Co-workers? Co-legas?
No meu aniversário quero companheiros, isso sim.
Colegas trilham os mesmos caminhos.
Mas companheiros, esses caminham juntos.

 

Escrevi isso há cerca de um ano, alguns dias antes do meu aniversário, num guardanapo. Joguei dentro da mochila e deixei bolando por lá. Achei hoje.

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Não durma, aqui tem cobra (trecho)

10.maio.2011
Don't Sleep There Are Snakes

Ainda sem edição nacional

“Em outra ocasião durante minha primeira temporada com os Pirahãs, eu me senti suficientemente confortável com a língua deles a ponto de contar minha própria história sobre como aceitei Jesus como meu salvador. Essa é uma prática comum entre cristãos evangélicos, chamada de ‘dar seu testemunho’. A idéia é que quanto pior fosse sua vida antes de aceitar Jesus, maior o milagre da sua salvação e maiores são as razões para os não-crentes na platéia aceitarem Jesus também.

Era noite, logo após o jantar da minha família, por volta das 7 horas. Ainda estávamos refrescados pelo banho no Rio Maici. Era nessa hora que fazíamos café para quem quisesse sentar conosco e conversar. Nessas ocasiões eu costumava falar sobre minha fé em Deus e porque eu acreditava que os Pirahãs deveriar crer em Deus também, assim como eu. Como os Pirahãs não tinham uma palavra para Deus, eu usava um termo que Steve Sheldon tinha sugerido para mim, Baíxi Hioóxio (o Pai lá de cima).

Eu disse que nosso pai lá de cima mudou minha vida para melhor. ‘No passado’, eu disse, ‘eu bebia como os Pirahãs. Eu tinha várias mulheres (ok, exagerei um pouco), e eu era infeliz. Então o pai lá de cima entrou no meu coração e me fez feliz e mudou minha vida para melhor.’ Eu não sabia se todos aqueles conceitos, metáforas e nomes que eu estava inventando na hora faziam qualquer sentido para os Pirahãs. Faziam para mim. Nessa noite, eu decidi contar para eles algo muito pessoal  – algo que eu achava que os faria entender o quanto Deus pode ser importante em nossas vidas. Então eu contei para os Pirahãs que minha madrasta havia se suicidado, e também a forma como isso me levou a Jesus e como minha vida melhorou depois que eu parei de beber e usar drogas e aceitei Jesus na minha vida. Eu contei isso de uma forma muito séria.

Quando eu terminei, os Pirahãs explodiram em gargalhadas. Eu não esperava por algo assim. Eu estava acostumado a reações do tipo ‘Glória a Deus!’ e com um público genuinamente impressionado pelas dificuldades que eu havia atravessado e como Deus havia me resgatado.

‘Por que vocês estão rindo?’, perguntei.

‘Ela se matou? Ha ha ha que burra! Pirahãs não se matam.’ foi a resposta.”

Trecho de “Don’t Sleep, There Are Snakes”, de Daniel Everett, em tradução livre feita por mim mesmo.

Infelizmente esse livro ainda não tem edição em português porque, segundo o próprio autor, as editoras nacionais alegam que não há público.

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Aveia strikes back

28.março.2011

Depois do estrondoso sucesso da farofa de aveia, estamos de volta com mais uma aventura culinária.

Dessa vez, o projeto consiste em fazer BISCOITOS DE AVEIA! Sim, o cereal está em alta comigo e volta mais uma vez como protagonista.

Mas antes, uma pequena digressão:

trauma

Palhacitos. Pense num biscoito fuleiro. Em uma viagem de barco de Manaus/AM a Oriximiná/PA, no longínquo ano de 1996, sobrevivi durante dois dias, eu e meus comparsas, à base dessa iguaria.

Foram maus bocados, mas não nos restava outra opção: a sopa que serviam no barco significaria o fim das férias antes mesmo de elas começarem.

Bom, ao menos passamos razoavelmente incólumes, mas essa experiência com o já finado biscoito da triunfo me deixou sequelado de tal forma que desde então não tenho mais a mesma gana que um dia já tive quanto a bolachas doces. Como-as, claro, mas a lembrança dos palhacitos sempre me aterroriza secretamente durante o processo.

Pensando com calma agora, é de se perguntar se não há outros fatores envolvidos, uma vez que palhaços, por si só, já são aterrorizantes o suficientes e…

Whatever, vamos ao biscoito de aveia. A receita é uma mistura de duas que catei por aí: essa e essa. Como eu não anotei, vai de cabeça:

Ingredientes

1 ovo batido
1 colher (sopa) de água
2/3 xícara de manteiga
1 xícara de açúcar mascavo
1 colher (chá) de extrato de baunilha
1 xícara de farinha de trigo integral
1 xícara de farelo de aveia
1/4 xícara de gérmen de trigo
1/2 xicara de flocos de aveia
1 colher (chá) de fermento
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
1/2 xícara de amêndoas picadas

Preparo

Bota o forno pra aquecer a 160º ~ 180º.
Pega uma vasilha maceta e taca ovo, manteiga, açúcar, baunilha e água. Mistura bem e depois joga o resto dentro (menos as amêndoas). Continua misturando até ficar uniforme. Aí sim, coloca as amêndoas. Mistura de novo.
Faça uns bolinhos com a mão mesmo (ficou grudendo, melhor untar a mão com manteiga da próxima vez) e coloque em uma forma forrada com papel vegetal. Tá pronto pra ir pro forno.
Deixe no forno por 10 minutos. Depois deixe descansar por mais 5 minutos.
Fim.

quase esqueço de fotografar a obra

ficou gostoso, juro.

Aprovado pela minha filha!

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Lendo, vendo & ouvindo

24.março.2011

Mantenho uma lista de filmes que estou assistindo ao longo desse ano – 2011 – no imdb.com.

Também procuro manter no Skoob o registro dos livros que leio.

Música é complicado.

Ainda assim, criei uma página pra tentar juntar tudo num lugar só, ou pelo menos para servir de apontador, caso algum improvável visitante tenha curiosidade de saber o que tenho feito.

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Viajando Leve, parte 2 – A tralha nossa de cada dia

1.fevereiro.2011

“Para ganhar conhecimento, adicione coisas todos os dias. Para ganhar sabedoria, elimine coisas todos os dias.”
–Lao Tse

Na primeira parte falei sobre meu peso físico e como isso me levou a reflexões sobre a vida.

E agora continuo falando sobre o peso das coisas que acumulamos ao longo do tempo e que não servem pra nada, a não ser ocupar espaço. Tralhas.

Impressionante quanta tralha a gente consegue acumular no dia-a-dia. Algumas nós guardamos intencionalmente, outras simplesmente parecem se multiplicar.

Sapatos. Meias. Bermudas. Camisas. De rock. De políticos. De times. Boinas. Cartões de aniversário. Convites de Casamento. Cds. DVDs. BluRays. VHSs. Fitas K7. Disquetes. Papéis. Manuais de instruções. Cabos USB.  Fones de ouvido. Celular. Caixa de Celular. Caixa de Remédio. Remédios. Vencidos! Downloads. Canecas. Sacos. Revistas. Jornais. Livros. Comida. Canetas. Canais de TV…

No fim das contas, tudo tralha. Talvez tenham servido um dia, não mais.

Talvez nunca tenham servido pra nada.

Quando li o livro “A Arte de Fazer Acontecer” (famoso pelo método GTD), achei que pudesse dar conta de processar toda minha tralha, organizá-la e mantê-la permanentemente sob controle.

Fracassei miseravelmente.

Inicialmente culpei o método (“muito complexo”, “requer uma disciplina sobrenatural”), mas algum tempo depois me dei conta de que o problema não era com o método em si, que por sinal tem algumas dicas muito úteis e que incorporei à minha rotina.

O problema era com o volume de coisas.

Claro. Quanto mais tralha, mais trabalho para organizá-la.

Parece simples, e é.

Mas foi necessário mudar a forma como eu olho para as coisas para então perceber que boa parte daquilo que estava ocupando espaço e requerendo minha atenção, no fundo, não merecia tal preocupação.

“As coisas que você possui acabam possuindo você”, já dizia algum caboco sabido.

A frustração de ver planos perfeitos naufragarem em um mar de papéis, fluxogramas e mapas mentais, pilhas de to-do lists e projetos inacabados me fez tentar uma outra abordagem.

Até que um belo dia, depois de várias tentativas fracassadas tentando arrumar TUDO, lá estava eu, olhando para aquele mundaréu de coisas como se fosse a primeira vez, pensando comigo: “eu não preciso organizar isso. Eu preciso é me livrar disso”.

E foi mais ou menos assim que comecei a olhar para minhas coisas de uma forma diferente.

No próximo capítulo (sabe-se lá quando): “I feel like letting go”.

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Filmes: meu TOP 5 de 2010

31.dezembro.2010

No início de 2010 me propus a catalogar todos os filmes que assistisse ao longo do ano, registrando impressões e dando uma nota. A idéia era que posteriormente eu pudesse ter uma visão panorâmica em termos de filmes que assisti. Estaria vendo mais comédia ou drama? Documentários talvez? E quanto à época da produção, será que vejo muitos filmes recentes e estou deixando de olhar para boas produções antigas?

Ao longo do ano fui ao cinema somente 5 vezes (Avatar, Alice no País das Maravilhas, A Origem, Tropa de Elite 2 e A Rede Social). Em casa, assisti 35 filmes (estou contando somente longas).

E eis que 2010 chega ao fim. Sem mais delongas, portanto, vamos ao TOP 5 (em ordem alfabética):

  • Avatar (2009)
  • Origem, A (2010)
  • Réquiem Para um Sonho (2000)
  • RUSH: Beyond the Lighted Stage (2010)
  • Tropa de Elite 2 (2010)

Menções honrosas (filmes que revi e comprovei que continuam inspiradores):

  • Clube da Luta (1999)
  • Pinóquio (1940)

Há alguns outros filmes que gostei como Milk, Deixe Ela Entrar, Lars and the Real Girl, O Fantástico Sr. Raposo, mas como eu usei as notas que dei no momento em que assisti o filme como critério para entrar no top5, eles acabaram ficando de fora, mas fica o registro.

No fim das contas, gostei bastante da experiência e pretendo adotar como prática permanente.

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Sonho?

4.dezembro.2010
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Viajando Leve, parte 1 – Kilogramas

28.setembro.2010

Tenho uma tradição compartilhada com um grupo de amigos, que se renova todo dia 31 de dezembro. À ocasião, fazemos, entre umas e outras, um balanço do ano que está terminando.

Lembro que no balanço de 2007 relatei algo inédito: “terminei o ano 2kg mais leve do que iniciei”. Ora, durante toda minha vida só havia engordado, de forma que terminar o ano mais leve representava muita coisa: era um mudança na direção no movimento. Ali, ao meu ver, havia sido dado um duro golpe na inércia. ;)

Mas, sabemos, a inércia é uma força muito poderosa: em 2008 o movimento não se manteve e voltei a engordar.

Tratei de encarar essa recaída como uma espécie de força centrípeta me empurrando para fora da curva da mudança de direção: quanto mais rápido você faz a curva, maior é a força. Tudo, bem, lição aprendida.

Em 2009 decidi fazer um monitoramento detalhado: comprei uma balança e me pesei semanalmente, registrando tudo em uma planilha. Fiz isso ao longo do ano, e o resultado pode ser visto no gráfico que segue:

variação de peso em 2009

variação de peso em 2009

Não vou fazer uma análise profunda sobre os impactos das festas de aniversário e afins. Basta dizer que foi uma experiência muito interessante, na medida em que serviu para que eu pudesse me policiar melhor, não em um sentido de rigidez ou paranóia, mas sim para que eu pudesse me manter nos trilhos, sem ter que me perguntar depois “como é que eu deixei chegar a esse ponto?”.

E, como vocês podem ver, em 2009 eu emagreci. Ou melhor, perdi peso.

Ou fiquei “mais leve”.

No balanço daquele ano, eu pude dizer que, pela segunda vez na vida, eu terminava um ano “mais leve” do que havia começado. Aquela sensação era legal.

Mas minha própria frase continuou ecoando dentro da cabeça. Seria verdade aquilo? Quero dizer, eu estava mesmo “mais leve”? Falando de massa corpórea, sem dúvida era verdade: eu estivera engordando ano após ano. Estava mais leve do ponto de vista físico.

Por outro lado, ao mesmo tempo passei a me questionar se, ao longo da vida, eu não estaria ficando mais pesado também de outras formas.

Talvez a minha preocupação com meu peso físico fosse tão somente o ponto de partida para questionamentos mais abrangentes relativos ao meu estilo de vida e ao que poderíamos chamar de “leve” ou “pesado” em um sentido mais, digamos, abstrato.

Talvez a gente acabe acumulando muita coisa dentro da cabeça. Muitas preocupações, muitos desejos, muitos planos, muitas pendências, muitos sonhos, muitas frustrações. Cada vez mais.

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Atlas

Sempre ouvi dizer que, pra emagrecer, você tem que gastar mais do ganha. Em outras palavras, exercite-se e/ou feche a boca. Mas e quanto ao outro lado? Será que isso vale também no campo do nosso equilíbrio psicoemocional? Dá pra se “exercitar”, nesse sentido? Como? Será que eu preciso fazer uma “dieta metafísica”?

Será viagem?

Mas já era tarde. Quando dei por mim, já estava viajando.

(to be continued…)

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No meio do caminho, a preguiça.

19.setembro.2010

O título bem que poderia remeter a uma eventual desculpa por não estar escrevendo constantemente por aqui.

Mas não é.

Trata-se tão somente de um bicho-preguiça que, de fato, apareceu no meio do caminho.

O bichinho só queria atravessar a rua.

“P: Por que o bicho-preguiça atravessou a rua?
R: Para chegar do outro lado”

Para o carro! Bate uma chapa aí:

créditos: Carlos J. Chase

Depois disso, direto para a árvore.

E eu ganhei o dia.

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