Viajando Leve, parte 3 – I Feel Like Letting Go

“Oh, I feel like letting go.”
– Paul McCartney, Letting Go

Quando publiquei a segunda parte da série Viajando Leve, já sabia que iria levar um bom tempo até estar pronto para publicar a continuação.

Eu ainda estava no início do processo de mudança, entusiasmado com essa forma diferente de olhar para as minhas coisas.

Eu estava passando a olhar para os objetos cada vez menos como minhas coisas, e cada vez mais como, simplesmente, coisas.

E isso, por si só, já estava me fazendo sentir muito mais leve.

Mas não bastava. Era preciso exercitar essa visão.

O problema é que, embora minha cabeça estivesse cheia de idéias e eu estivesse altamente motivado, não sabia por onde começar.

Então comecei a ler depoimentos de pessoas que já passaram por momentos semelhantes ou qualquer coisa que pudesse, de alguma forma, me inspirar a trilhar meu próprio caminho. Continuar lendo

O que o castigo ensina

(Esse post nada mais é do que um email que enviei para alguns amigos há algum tempo. Eu havia acabado de assistir uma palestra em vídeo do Alfie Kohn, educador que até então eu não conhecia.)
Estou aprendendo bastante sobre castigo. E nossos filhos também aprendem bastante quando são castigadas. Eis algumas lições:

Lição 1 - Raiva

O uso do castigo, seja físico ou emocional, deixa as pessoas com raiva. Pessoas de qualquer idade. No caso das crianças, em particular, soma-se a isso o fato de que elas não tem poder para revidar, o que as deixas mais putas ainda e nos leva a lição 2.

Lição 2 - Poder

Ao invés de ensinar a arrumar os brinquedos, não gritar, não bater no irmão etc, o que o castigo realmente ensina às crianças é que, quando você quer que alguém faça ou deixe de fazer algo, basta usar seu poder. (Eventualmente, quando seus filhos adolescentes rirem na sua cara após uma ameaça de castigo, você vai entender melhor).

Lição 3 - Opressão

Quanto mais PODER você usa, menos INFLUÊNCIA você tem sobre seus filhos. Ao invés de serem percebidos como fontes de inspiração ou aliados que podem ser consultados, os pais passam a ser vistos como potenciais opressores. O resultado é que em dado momento os filhos olham para os pais como quem olha para o retrovisor do carro e vê a polícia se aproximando.

Lição 4 - Desconfiança

“Então esses serem gigantes de quem dependo totalmente, que me alimentam, cuidam de mim e me dão carinho eventualmente me fazem sofrer de propósito?”

Lição 5 - Foco

O castigo ensina que o mais importante não é fazer escolhas consciente e tomar decisões relevantes (“se você bater na sua irmã ela vai sofrer”) mas sim que o mais importante é evitar o castigo (“eu não bati nela!” ou “ela me bateu primeiro [e, portanto, quem merece ser castigada é ela]“). A propósito, isso é um belo incentivo à prática deliberada da mentira, o que por sua vez torna as coisas ainda mais interessantes já que, se a mentira for detectada a consequência é… castigo na certa :)

Lição 6 - Análise

A depender do castigo, talvez a “transgressão” valha a pena.

Lição 7 - Egocentrismo

Em última instância, a pergunta que as crianças se fazem – em ambientes familiares onde o castigo é a norma – é a seguinte: “O que meus pais querem que eu faça, e o que vai acontecer comigo se eu não fizer o que eles querem?”. Não, não existe preocupação alguma sobre como suas ações afetam as outras pessoas.
Adaptado da palestra “Unconditional Parenting”, de Alfie Kohn.

O Homem da Chave Verde

| Lá vem o homem
| Lá vem ê ê
| O homem da chave verde

Carregado de ontens
Olha a conta de luz
Sente o peso da responsa
Mas não é o medo
Não é o medo que o conduz

E o que é então?
Ninguém sabe.
Ninguém sabe, não…

| Lá vai o menino
| Lá vai ê ê
| O menino da bicicleta

Carregado de anseios
Movido pelo amanhã
Sente o vendo no cabelo
Mas não é o tempo
Não é o tempo que o seduz

E o que é então?
Ninguém sabe.
Ninguém sabe, não…

 

Acabo de encontrei isso rabiscado na última página de um caderno já meio antigo. Não tem data, mas imagino que seja por volta de 2006, durante meu processo de mudança, saindo da casa dos pais e indo morar sozinho. A chave verde eu herdei do morador anterior. Tenho certeza que havia uma melodia (por causa do ê ê), mas ela se perdeu, então fica só a letra mesmo. Acho que a inspiração foram duas músicas, uma do jorge ben (o homem da gravata florida) e outra do simoninha (lá vem o homem).

Dá pra ler meu cagaço. :)

A Tragédia do Deixar Passar

Escrito por Leo Babauta.
Traduzido e adaptado livremente por mim.
O original está aqui.

Pai e filho foram pescar em um pequeno barco, famintos.

O pai ajudou o filho com a pescar seu primeiro peixe, e que beleza ele era. “Belo peixe, filho” disse o pai.

“Verdade, mas eu me pergunto se não estou deixando escapar peixes melhores”, disse o filho. “E se eu conseguir pegar peixes maiores e mais saborosos?”.

“Talvez você devesse tentar”, disse-lhe o pai.

E assim ele o fez, e após uma hora ele pegou um peixe ainda maior. “Isso sim é um peixe”, exclamou o pai.

“Mas e se existirem peixes melhores?”perguntou o filho.

“Talvez você devesse tentar”, respondeu o pai.

E assim ele o fez novamente, pescando um peixe ainda maior, e então imaginando se existia um peixe maior que aquele, pescando outro e assim por diante.

Ao fim do dia, o filho estava exausto. O pai perguntou: “O peixe estava gostoso?”

O filho hesitou: “Não sei ao certo. Eu estava tão ocupado tentando conseguir peixes cada vez maiores que não saboreei nenhum deles.”

O pai sorriu satisfeito, mostrando a barriga: “Não se preocupe. Estavam deliciosos.”

Todos nós somos como o filho. Nos preocupamos, em algum momento ou outro, em não deixar passar nada.

Por isso somos tão ocupados — nos envolvemos com tanta coisa porque não queremos perder oportunidades. Traçamos dezenas de metas e aspirações, porque não queremos deixar passar.

Mas aqui vai a verdade nua e crua: nós vamos deixar passar muita coisa, não importa o que aconteça. É inevitável. Não conseguiremos fazer ou experimentar tudo no mundo, mesmo que vívessemos o dobro. Não conseguiremos ver todas as vilas e cidades, ler todos os livros interessantes, assistir cada filme importante. Nós sempre, sempre vamos deixar passar.

Aqui vai a segunda verdade mais importante: se você estiver sempre preocupado com não deixar passar o que virá, você vai deixar passar aquilo que você já tem.

Não faça uma lista de leitura kilométrica — concentre-se no livro que está em suas mãos. Não encha o roteiro das férias com cada ponto turístico da cidade que está visitando — ande por aí e aproveite o que encontrar. Não se preocupe em viajar o mundo inteiro — aproveite o mundo ao seu redor. Não se preocupe com o que está acontecendo na internet, ou nos jornais — o que você está fazendo agora é legal o bastante.

E deixe de lado aquela sua longa lista de tarefas e objetivos. Eles são tentativas vãs de não deixar passar nada. Você vai deixar passar muita coisa, mas na sua luta pra tentar fazer tudo, você vai deixar escapar o encanto daquilo que você está fazendo agora.

O que você está fazendo nesse momento é tudo que importa. Deixe o resto pra lá, e aproveite o peixei que você acabou de pescar.

Não presentes, mas presenças

No meu aniversário não quero presentes, mas presenças.
Porque hoje somos muito distantes.
Não fisicamente – às vezes, isso também.
Mas subjetivamente.

Co-vivemos, mas não convivemos.

Co-workers? Co-legas?
No meu aniversário quero companheiros, isso sim.
Colegas trilham os mesmos caminhos.
Mas companheiros, esses caminham juntos.

 

Escrevi isso há cerca de um ano, alguns dias antes do meu aniversário, num guardanapo. Joguei dentro da mochila e deixei bolando por lá. Achei hoje.

Mude o mundo sendo você mesmo

Escrito por Jonathan Mead.
Traduzido e adaptado livremente por mim.
O original está aqui.

É fácil pensar que não fazemos diferença. É fácil dizer “sou muito pequeno” ou pensar que o que você faz não importa.

Não é verdade.

Cada ação sua tem consequências no mundo. Sim, você é uma expressão do universo. Mas o universo também é uma expressão de Você.

Então, qual é a maneira mais rápida de mudar o mundo? Aceite-se como você é.

Quando agimos timidamente nós falhamos em mudar o mundo, e aceitamos ficar encolhidos dentro de caixas. Nós reforçamos o statuso quo à medida em que viramos robôs que somente buscam aprovação.

A maior diferença que você pode fazer no mundo é não fazer algo incrível. Não estou falando de invenções ou descobertas planetárias revolucionárias. Claro que pessoas que deixaram sua marca no mundo certamente fizeram coisas desse tipo. Mas eles não começaram assim. Eles exploraram a fundo quem eles eram.

Se você quer se fazer presente no mundo, não precisa ser fora-de-série ou ter uma idéia de abalar estruturas.

O que você precisa está dentro de você.

Cultive uma conexão permanente com quem você é. A partir daí, encontre uma forma profunda de expressar isso. Não se preocupe, a profundidade virá com o tempo. No começo, vai ser algo superficial.

Mas à medida que você segue aquela luz guia interna, você descobre coisas fantásticas. Você encontrará um brilho muito intenso dentro de você mesmo, quase cegante. E quando isso acontecer, verá que não existe possibilidade de não expressar isso. Não há como segurar.

Quando isso acontecer, você irradiará sua luz no mundo — como um prisma — conectando e iluminando a luz de outros.

E você perceberá algo curioso: a maneira mais rápida de mudar o mundo é ser quem você é. Somente quando você cobre, censura e hesita é que você cimenta o mundo como ele é. Mas você pode se desligar disso agora e se entregar à sua própria luz.

Entregue-se e abrace seu eu verdadeiro. Espero que faça isso, porque o mundo precisa da mais pura essência do seu ser.