h1

Viajando Leve, parte 1 – Kilogramas

28.setembro.2010

Tenho uma tradição compartilhada com um grupo de amigos, que se renova todo dia 31 de dezembro. À ocasião, fazemos, entre umas e outras, um balanço do ano que está terminando.

Lembro que no balanço de 2007 relatei algo inédito: “terminei o ano 2kg mais leve do que iniciei”. Ora, durante toda minha vida só havia engordado, de forma que terminar o ano mais leve representava muita coisa: era um mudança na direção no movimento. Ali, ao meu ver, havia sido dado um duro golpe na inércia. ;)

Mas, sabemos, a inércia é uma força muito poderosa: em 2008 o movimento não se manteve e voltei a engordar.

Tratei de encarar essa recaída como uma espécie de força centrípeta me empurrando para fora da curva da mudança de direção: quanto mais rápido você faz a curva, maior é a força. Tudo, bem, lição aprendida.

Em 2009 decidi fazer um monitoramento detalhado: comprei uma balança e me pesei semanalmente, registrando tudo em uma planilha. Fiz isso ao longo do ano, e o resultado pode ser visto no gráfico que segue:

variação de peso em 2009

variação de peso em 2009

Não vou fazer uma análise profunda sobre os impactos das festas de aniversário e afins. Basta dizer que foi uma experiência muito interessante, na medida em que serviu para que eu pudesse me policiar melhor, não em um sentido de rigidez ou paranóia, mas sim para que eu pudesse me manter nos trilhos, sem ter que me perguntar depois “como é que eu deixei chegar a esse ponto?”.

E, como vocês podem ver, em 2009 eu emagreci. Ou melhor, perdi peso.

Ou fiquei “mais leve”.

No balanço daquele ano, eu pude dizer que, pela segunda vez na vida, eu terminava um ano “mais leve” do que havia começado. Aquela sensação era legal.

Mas minha própria frase continuou ecoando dentro da cabeça. Seria verdade aquilo? Quero dizer, eu estava mesmo “mais leve”? Falando de massa corpórea, sem dúvida era verdade: eu estivera engordando ano após ano. Estava mais leve do ponto de vista físico.

Por outro lado, ao mesmo tempo passei a me questionar se, ao longo da vida, eu não estaria ficando mais pesado também de outras formas.

Talvez a minha preocupação com meu peso físico fosse tão somente o ponto de partida para questionamentos mais abrangentes relativos ao meu estilo de vida e ao que poderíamos chamar de “leve” ou “pesado” em um sentido mais, digamos, abstrato.

Talvez a gente acabe acumulando muita coisa dentro da cabeça. Muitas preocupações, muitos desejos, muitos planos, muitas pendências, muitos sonhos, muitas frustrações. Cada vez mais.

Atlas_sculpture_on_collins_street_melbourne

Atlas

Sempre ouvi dizer que, pra emagrecer, você tem que gastar mais do ganha. Em outras palavras, exercite-se e/ou feche a boca. Mas e quanto ao outro lado? Será que isso vale também no campo do nosso equilíbrio psicoemocional? Dá pra se “exercitar”, nesse sentido? Como? Será que eu preciso fazer uma “dieta metafísica”?

Será viagem?

Mas já era tarde. Quando dei por mim, já estava viajando.

(to be continued…)

2 comentários

  1. Do caralho.

    Estou no início desta reflexão, e preciso, urgentemente, ir para a prática.

    De concreto, de concreto mesmo, eu comprarei uma balança também !

    E farei meu gráfico para o próximo ano.

    Tenho uma caixa “maldita” lá em casa, cheia de gadgets, de cabos, de adaptadores. Muita coisa útil, muita coisa inútil. Tudo embolado. Vou começar jogando fora uma coisa por dia. Vamos ver no que vai dar.

    Metafisicamente, preciso também de uma limpeza, de uma levicificação.

    E isso exige muita humildade.

    Humildade para aceitar que eu não posso pensar tudo e muito menos resolver tudo. Me preocupar com tudo é uma postura soberba, que parte do princípio de que eu tenho, ou teria, a capacidade de resolver tudo. Ficar ansioso com tudo é uma postura que parte do pressuposto de que, de certa forma, o mundo gira ao redor de mim, e de que alguma forma eu posso prever exatamente as consequencias de minhas ações no mundo ou dos fatos do mundo em mim.

    É preciso ser humilde para pensar pouco e agir pouco. Mas o pouco que importa. Pra mim.


  2. “Status: Barriga Grande” – Duck Tales



Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.